Misto de timidez, de meninice e de soldado sem limites. Tem-se medo de helicópteros (não de aviões), mas sobe-se às nespereiras (e às muralhas, às escondidas) e voa-se para o chão do tronco mais alto que se consegue. Não se é capaz de pedir pão (que seja) mas pede-se a preocupação dos outros fugindo para os sítios mais escuros da mata. Tem-se medo de passarinhos mortos (!!!), mas tenta-se fazer bombas com pastilhas elásticas apanhadas do chão. As baratas também assustam, mas comem-se formigas só para sentir o picar na língua. Não se toca nos tijolos porque o pó que têm seca os dedos, mas joga-se ao berlinde na areia suja dos gatos das vizinhas. Chora-se porque não se é capaz de responder a uma pergunta na prova da 3ª classe, mas parte-se a cabeça (com uma pedrada, imagine-se) ao neto da senhora velha mais temerosa.
czarina
segunda-feira, dezembro 25, 2006
domingo, dezembro 24, 2006
"wild"mente indescritível II
Love me, love me, love me, say you do
Let me fly away with you
For my love is like the wind, and wild is the wind
Wild is the wind
Give me more than one caress, satisfy this hungriness
Let the wind blow through your heart
For wild is the wind, wild is the wind
You touch me,
I hear the sound of mandolins
You kiss me
With your kiss my life begins
You're spring to me, all things to me
Don't you know, you're life itself!
Like the leaf clings to the tree,
Oh, my darling, cling to me
For we're like creatures of the wind, and wild is the wind
Wild is the wind
Like the leaf clings to the tree,
Oh, my darling, cling to me
For we're like creatures in the wind, and wild is the wind
Wild is the wind
Let me fly away with you
For my love is like the wind, and wild is the wind
Wild is the wind
Give me more than one caress, satisfy this hungriness
Let the wind blow through your heart
For wild is the wind, wild is the wind
You touch me,
I hear the sound of mandolins
You kiss me
With your kiss my life begins
You're spring to me, all things to me
Don't you know, you're life itself!
Like the leaf clings to the tree,
Oh, my darling, cling to me
For we're like creatures of the wind, and wild is the wind
Wild is the wind
Like the leaf clings to the tree,
Oh, my darling, cling to me
For we're like creatures in the wind, and wild is the wind
Wild is the wind
sábado, dezembro 23, 2006
sometimes... this is but america II
A little piece of you
The little peace in me
Will die
For this is not america
Blossom falls to bloom
This season
Promise not to stare
Too long
For this is not a miracle
There was a time
A storm that blew so pure
For this could be the biggest sky
And I could have
The faintest idea
Snowman melting
From the inside
Falcon spirals
To the ground
So bloody red
Tomorrows clouds
A little piece of you
The little piece in me
Will die
For this is not america
There was a time
A wind that blew so young
For this could be the biggest sky
And I could have the faintest idea
This could be the biggest sky
This could be a miracle
The little peace in me
Will die
For this is not america
Blossom falls to bloom
This season
Promise not to stare
Too long
For this is not a miracle
There was a time
A storm that blew so pure
For this could be the biggest sky
And I could have
The faintest idea
Snowman melting
From the inside
Falcon spirals
To the ground
So bloody red
Tomorrows clouds
A little piece of you
The little piece in me
Will die
For this is not america
There was a time
A wind that blew so young
For this could be the biggest sky
And I could have the faintest idea
This could be the biggest sky
This could be a miracle
Laivos do Natal cá dentro I
Vem a mão vai o cabelo, a meia luz.
O frio da noite leva-me algures, lugares imaginários e pensamentos que a linha do tempo que passa cá dentro vai trazendo.
No meio da confusão quente e familiar apela-me também este conforto.
Como se de uma pausa, como se de um parêntesis se tratasse.
O frio da noite, o quente cá dentro.
O primeiro lugar é esse mesmo, o tempo. Coisa apressada ou lenta, ora de dentro e controlada, ora de fora e manipuladora.
Onde estás tu?
Em ambos, o que muda é outro lugar, aquele onde te colocas e incluído no primeiro, no do tempo. O tempo humano parece ser, na realidade, a apropriação dele…
Se, por um lado, reclamamos da “sua” pressa, se calhar fugimos quando se trata da "sua" efectiva apropriação. E penso, apropriação não é ganhar nem perder tempo tomando as decisões necessárias a um alinhamento com os astros que ditam qualquer época.
O que poderia ser, então?
Apropriação… estado intenso de alegria, resultante da confirmação de pertencermos a um algo que nos preenche. Para acontecer, exige quase sempre o pré-requisito de sentirmos que esse mesmo estado é recíproco. Claro que as lentes com que olhamos para estes dois movimentos podem não estar bem focadas uma em relação à outra, ou seja, uma pode estar muito graduada e outra pode nem uma dioptria ter…!
O frio da noite leva-me algures, lugares imaginários e pensamentos que a linha do tempo que passa cá dentro vai trazendo.
No meio da confusão quente e familiar apela-me também este conforto.
Como se de uma pausa, como se de um parêntesis se tratasse.
O frio da noite, o quente cá dentro.
O primeiro lugar é esse mesmo, o tempo. Coisa apressada ou lenta, ora de dentro e controlada, ora de fora e manipuladora.
Onde estás tu?
Em ambos, o que muda é outro lugar, aquele onde te colocas e incluído no primeiro, no do tempo. O tempo humano parece ser, na realidade, a apropriação dele…
Se, por um lado, reclamamos da “sua” pressa, se calhar fugimos quando se trata da "sua" efectiva apropriação. E penso, apropriação não é ganhar nem perder tempo tomando as decisões necessárias a um alinhamento com os astros que ditam qualquer época.
O que poderia ser, então?
Apropriação… estado intenso de alegria, resultante da confirmação de pertencermos a um algo que nos preenche. Para acontecer, exige quase sempre o pré-requisito de sentirmos que esse mesmo estado é recíproco. Claro que as lentes com que olhamos para estes dois movimentos podem não estar bem focadas uma em relação à outra, ou seja, uma pode estar muito graduada e outra pode nem uma dioptria ter…!
... E é aqui, no lar inicial, que tudo começa...
terça-feira, dezembro 12, 2006
sábado, dezembro 09, 2006
nós, j!
De porte altivo, olhar de quem não deve, sorriso ao qual os lábios – apenas por vezes – não conseguem resistir. Quer, sobretudo, que sejam outros a sorrir quando perto de si ou quando nos seus braços. Quer muito, mas quer muito dos outros, quere-los, aliás. Quere-los na sua plenitude, quer que sejam, quer que se entreguem nos seus braços, enormes braços. Por isso, a imagem que dele surge é grande, muito grande… como se maior. E se o que exige é entrega… o que exige é o outro, completamente o outro, o outro completamente… então não é qualquer um outro, porque não há muitos outros tão grandes e cheios assim.
Um homem que dá… querendo que lhe dêem pela entrega. E esse dar tem, assim, laivos de querer receber muito. Parece o movimento ser simples de tão pleno.
Mas esta menina mulher não quer mais eufemismos... é de entrega, a conversa.
Um homem que dá… querendo que lhe dêem pela entrega. E esse dar tem, assim, laivos de querer receber muito. Parece o movimento ser simples de tão pleno.
Mas esta menina mulher não quer mais eufemismos... é de entrega, a conversa.
És meu e eu sou tua.
sexta-feira, dezembro 08, 2006
sitar

O Sitar é um instrumento hindu clássico, desenvolvido desde a Idade Média e a partir de outro instrumentos como, por exemplo, o turco tambur. Muitos foram os povos que o utilizaram, incorporando-o nas suas próprias linguagens musicais, como é o caso do povo cigano. Na sua raiz etimológica persa encontramos, por um lado, seh (árvore) e, por outro, tar (cordas).
O seu timbre é único e inconfundível, trazendo-nos a paz do dedilhado límpido e solto, e ainda a possibilidade de transcendência pelo seu som “estranhamente” oriental mas – no fundo – universal.
terça-feira, dezembro 05, 2006
reflexo
e quando - na melancolia de dias partidos, bi-partidos, tri-partidos pelo vento, chuva e trabalho - o chão fica oculto pelas poças de água?
Onde pomos os pés? No molhado, sempre... mas, no chão ou na água escura que antecede o chão?
Hoje, crescida, já não tem mal pôr os pés na poça, penso...
Até porque os pés são, afinal, de quem?
...e, no exacto momento do odor a terra molhada e da água salpicada desfaz-se a imagem, mas cria-se a experiência.
surge-me, de repente, um outro (eu) que há muito não reconhecia: existo e, apesar dos pés gelados, é bom confirmar que o chão está lá (depois da água).
Onde pomos os pés? No molhado, sempre... mas, no chão ou na água escura que antecede o chão?
Hoje, crescida, já não tem mal pôr os pés na poça, penso...
Até porque os pés são, afinal, de quem?
...e, no exacto momento do odor a terra molhada e da água salpicada desfaz-se a imagem, mas cria-se a experiência.
surge-me, de repente, um outro (eu) que há muito não reconhecia: existo e, apesar dos pés gelados, é bom confirmar que o chão está lá (depois da água).
cresce
respira fundo... inspira... expira...
sorri
coisas pequenas, por mais que insistam, não passam a ser as grandes
recebe e dá.
sorri
coisas pequenas, por mais que insistam, não passam a ser as grandes
recebe e dá.
domingo, novembro 26, 2006
in mood(anças)
já houve quem falasse de metamorfose e mostrasse ter consciência dela. poucos houveram ou há.
temos noção de pequenas e grandes metamorfoses que acontecem na nossa vida... mas maioritariamente aquelas que decorrem num limite nosso já bem fronteiriço e muito próximo da influência de uma realidade social, a qual caímos na tentação de favorecer. incorporamos metamorfoses esperadas, de fora para dentro. e somos mais resistentes em fazer o movimento contrário. esse social é-nos aconchegante, parece dar-nos segurança de algum modo. no fundo, orienta-nos perante a susceptibilidade de mudança contínua. mas aí, esquecemos que há mudança constante dentro de nós e, essa, exige -nos um olhar para dentro e de dentro.
não há mais mudança fora que dentro de nós. por isso, não sei se devemos realmente dispensar a maior parte da nossa atenção na eventualidade de futuros maremotos e/ou terramotos...
agora, há quem diga que o que perdemos desde crianças é a capacidade de mudar. é até como se perdêssemos alguma parte da nossa identidade se, no fundo, ousarmos fazê-lo.
aceitar tudo o que vem de fora não é capacidade de mudar. fazer tudo o que esperam de nós também não.
resistimos-lhe exactamente porque ela nos exige um movimento de dentro para fora. resistimos-lhe porque ela nos obriga a conhecermo-nos mais e, eventualmente, a reajustar qualquer coisa cá dentro.
temos noção de pequenas e grandes metamorfoses que acontecem na nossa vida... mas maioritariamente aquelas que decorrem num limite nosso já bem fronteiriço e muito próximo da influência de uma realidade social, a qual caímos na tentação de favorecer. incorporamos metamorfoses esperadas, de fora para dentro. e somos mais resistentes em fazer o movimento contrário. esse social é-nos aconchegante, parece dar-nos segurança de algum modo. no fundo, orienta-nos perante a susceptibilidade de mudança contínua. mas aí, esquecemos que há mudança constante dentro de nós e, essa, exige -nos um olhar para dentro e de dentro.
não há mais mudança fora que dentro de nós. por isso, não sei se devemos realmente dispensar a maior parte da nossa atenção na eventualidade de futuros maremotos e/ou terramotos...
agora, há quem diga que o que perdemos desde crianças é a capacidade de mudar. é até como se perdêssemos alguma parte da nossa identidade se, no fundo, ousarmos fazê-lo.
aceitar tudo o que vem de fora não é capacidade de mudar. fazer tudo o que esperam de nós também não.
resistimos-lhe exactamente porque ela nos exige um movimento de dentro para fora. resistimos-lhe porque ela nos obriga a conhecermo-nos mais e, eventualmente, a reajustar qualquer coisa cá dentro.
capacidade humana
"all music is what awakes from you when you are reminded by the instruments"
Walt Whitman
segunda-feira, novembro 20, 2006
e isto de se ser independente continua a ter muito que se dizer.
trabalha-se muito ou pouco, consoante o sol ou o dia da semana. consoante a disposição, também. porque não há um horário rígido, importa que o interior tenha estrutura. e eu estou em plena fase de adaptação à situação.
trabalho muito ou pouco? depende também do contributo que se dá... e do retorno que se recebe, ou não.
mas, para ser ser um verdadeiro "verde", é preciso alimentar o terreno porque não se tem as coisas como garantidas.
pode-se chamar a isto liberdade face aos constrangimentos ou constrangimentos face à liberdade. depende do momento. e deve ser no segundo que agora me situo.
bem, dizem das oportunidades que elas são criadas. precisa-se então de ser sujeito actuante. ok, vou procurar trabalho!
sexta-feira, novembro 10, 2006
escreve-se porque importa... registar na matéria a energia que percorre a alma. escreve-se porque não somos um, sou muitos em um e há muitos fora de mim a quem conto histórias. embora tenha aprendido mais a escutar que a falar. como sou grande, tenho muito espaço cá dentro para muitos, mas neste espaço deixo-vos apenas espreitar.
então, nesse caso, os que espreitam sem dizer... podiam pelo menos fazer o esforço de criar um blog (5 min) para me dizerem quem são, falarem de si e do que pensam do que espreitam...!
voar como o jardel sobre os centrais
saber porque dão seda os casulos
mas isso já eram coisas a mais
quarta-feira, novembro 08, 2006
a avó guilhermina. mulher de porte altivo. cara, óculos e brincos redondos, estes últimos de ouro e pequeninos. não dava um passo em falso, embora (curiosamente) tenha falecido na sequência de ter tropeçado e caído...! sofrida na vida e abandonada pelo marido. com este acontecimento deve ter achado que mais valia manter relações próximas e intensas (sempre o soube fazer apenas assim), mas de forma mais segura... então, abriu as portas de sua casa (uma casa bonita e grande na rua principal da vila) e alugava quartos a turistas. lembro-me daquela casa sempre cheia de postais de todos os lados por todo o lado. os nomes dos remetentes eram-me estranhos e apareciam noutras línguas. penso que muitas coisas eram escritas em inglês... e eu hoje pergunto-me se ela saberia ler em tal língua ou se, simplesmente, fingia que sabia. mais uma vez, o importante era mesmo o postal.
a minha recordação é a de uma casa pálida, mas serena, colorida apenas pelos postais e pela galinha grande de tecido. esta galinha era a minha galinha. andava sempre debaixo do meu braço (era quase maior que eu) e, quando me cansava, punha-a no chão e sentava-me em cima dela. era nesta posição que falava com a minha avó, que lanchava, que a via a cozer meias e a fazer malha.
outras vezes, sentava a galinha ao meu lado e ficava a olhar pela janela, para os turistas.
na casa da minha avó também havia manteiga planta, mas a da outra senhora era muito melhor... não pela manteiga mas pelo pão.
o que era mesmo mesmo bom, eram os bolinhos que a minha avó me comprava na loja do sr. ápio... mas só depois de ir com ela à missa da tarde.
nessa casa aprendi o que era um bacio, o que eram estrangeiros, o que era fingir que se sabe ler (só pelo prazer de olhar algo que não se percebe) e percebi o que significava morar numa casa sozinha (era não haver pai nem mãe, nem eu... era ser uma senhora que fazia as coisas sozinha, mas que come, dorme e arruma). também aprendi a fazer malha... mas já não sei fazer e a cozer as meias sem "cus de galinha"... mas isso sempre fiz.
a minha recordação é a de uma casa pálida, mas serena, colorida apenas pelos postais e pela galinha grande de tecido. esta galinha era a minha galinha. andava sempre debaixo do meu braço (era quase maior que eu) e, quando me cansava, punha-a no chão e sentava-me em cima dela. era nesta posição que falava com a minha avó, que lanchava, que a via a cozer meias e a fazer malha.
outras vezes, sentava a galinha ao meu lado e ficava a olhar pela janela, para os turistas.
na casa da minha avó também havia manteiga planta, mas a da outra senhora era muito melhor... não pela manteiga mas pelo pão.
o que era mesmo mesmo bom, eram os bolinhos que a minha avó me comprava na loja do sr. ápio... mas só depois de ir com ela à missa da tarde.
nessa casa aprendi o que era um bacio, o que eram estrangeiros, o que era fingir que se sabe ler (só pelo prazer de olhar algo que não se percebe) e percebi o que significava morar numa casa sozinha (era não haver pai nem mãe, nem eu... era ser uma senhora que fazia as coisas sozinha, mas que come, dorme e arruma). também aprendi a fazer malha... mas já não sei fazer e a cozer as meias sem "cus de galinha"... mas isso sempre fiz.
a noção de tempo, se estivermos atentos,
pode ser diferente em alguns momentos da vida
aí, se mantivermos a coesão a nós mesmos,
muito podemos recolher, desfrutar, crescer
aquilo que se pensa ser "parar o tempo"
é, antes de mais e sem muito mais, vivê-lo
ouvem-se as pálpebras a bater, os sons vêm de dentro,
cheira-se a chuva a cair, isso é terra e chão e dádiva,
a carne tem cor de viva, porque faz questão de assim estar
prova-se do eu, do outro, do nós,
cria-se o que se passa
inventa-se a possibilidade
afirma-se o ser e o poder ser
aceita-se que se é amarelo, ou verde ou ambos,
afirma-se que se aceita (e que se aceita também o risco de aceitar)
nasce-se e renasce-se porque, na plenitude da paz de dentro e de fora, se abraça o mundo, a vida e o amor
pode ser diferente em alguns momentos da vida
aí, se mantivermos a coesão a nós mesmos,
muito podemos recolher, desfrutar, crescer
aquilo que se pensa ser "parar o tempo"
é, antes de mais e sem muito mais, vivê-lo
ouvem-se as pálpebras a bater, os sons vêm de dentro,
cheira-se a chuva a cair, isso é terra e chão e dádiva,
a carne tem cor de viva, porque faz questão de assim estar
prova-se do eu, do outro, do nós,
cria-se o que se passa
inventa-se a possibilidade
afirma-se o ser e o poder ser
aceita-se que se é amarelo, ou verde ou ambos,
afirma-se que se aceita (e que se aceita também o risco de aceitar)
nasce-se e renasce-se porque, na plenitude da paz de dentro e de fora, se abraça o mundo, a vida e o amor
quarta-feira, novembro 01, 2006
i blame you for the moonlit sky
and the dream that died
with the eagles flight
i blame you for the moonlit nights
when i wonder why
are the seas still dry?
don't blame this sleeping satellite
did we fly to the moon too soon?
did we squander the chance?
in the rush of the race
the reason we chase is lost in romance
and still we try
to justify the wastefor a taste of man's greatest adventure
have we got what it takes to advance?
did we peak too soon?
if the world is so great
then why does it scream under a blue moon?
we wonder why
the earth's sacrificed
for the price of its greatest treasure
and when we shoot for the stars
what a giant step
have we got what it takes
to carry the weight of this concept?
or pass it by
like a shot in the dark
miss the mark with a sense of adventure
(Tasmin Archer, Sleeping Satellite)
todos-os-santos e finados...
quando era pequena, mais ainda, a casa enchia-se dos assobios e cantigas do meu avô. homem alto e seco, fisionomia de inspiração árabe, nariz de judeu (mas maior que o meu). ele passava o final da manhã e quase toda a tarde em pé, junto à janela com vista para o castelo. embora tivesse uma ama e tivesse frequentado o jardim de infância, na minha memória passei muitos dias da semana com ele, só os dois, quando era ainda pequenina. Aires tinha também uns óculos muito finos e redondos que andavam guardados numa caixinha e que colocava apenas para ler o jornal (não importava a data do jornal, não eram as notícias que o interessavam, penso). lembro-me também de passear com ele nas ruas estreitas, mas um passear muito dirigido e curto, apenas até à taberna de sempre. conheci-a, à taberna, por dentro e por fora como nenhuma outra criança dessa altura. era uma privilegiada, portanto! o maior privilégio de todos era, para além de beber pirolitos e comer ovos cozidos (sem pimenta), vê-lo a jogar dominó e cartas com os amigos. devo ter passado horas a assistir. se me cansei? acho que nunca. aquilo era estratégia da mais rebuscada, de certeza, e muita "manhozice" à mistura. ainda bem que não percebia metade do significado do que diziam uns aos outros! havia sempre dois momentos, de todos, os mais triunfantes para mim: quando chegava à taberna de mão dada com ele e quando saía.
o Aires era um homem apaziguado e conflituoso ao mesmo tempo. a secura estava-lhe mesmo na alma, mas também a paz de quem faz questão de, aos setenta anos (mais ou menos), partilhar os seus hábitos e rituais com uma menina de quatro ou cinco anos.
provavelmente, nesses momentos eu vivia sensações de segurança e de omnipotência tais que, para mim, o mundo se devia rezumir a mim, à presença dele e à taberna.
talvez por excesso de ovos cozidos de vez em quando vinha uma senhora a casa da minha ama. dizia que eu estava "desmanchada" (não importa explicar o que é) e envolvia-me a barriga com umas folhas de couve embebidas em azeite. outra senhora curava-me os "cubrelos" com uma lâmina de barbear antiga, enquanto rezava. mas dessa eu gostava porque fazia pão quente às sextas-feiras e chamava-me sempre a casa dela para ir comer.
a par disto e com isto, crescia.
embora mantivesse muitas destas actividades, comecei a ter que gerir isto de outra forma quando entrei para a escola primária. também ganhei mais autonomia e foi-me oferecida a primeira pasteleira. aproveitei-a ao máximo e gostava particularmente de ir para o lavadouro das mulheres (já não havia ninguém que lá lavasse roupa, mas era sempre um sítio escondido e, por isso, entusiasmava-me). assim que chegava a casa, depois da escola, a primeira coisa que fazia era andar de bicicleta. o cheiro do ar da rua é exactamente o mesmo, hoje. contudo, falta-lhe um bocadinho de chaminé com fumo.
este cheiro misturava-se com o cheiro da minha roupa, normalmente a cedro podado, uma vez que, na escola, passava os intervalos a trepar-lhes e a fingir que eram naves espaciais (cheguei mesmo a acreditar nessa possibilidade e os meus colegas também, desconfio!). a partir de certa altura (mais ou menos 3ª classe) também jogava ao "bate o pé"... claro.
o Aires sempre acompanhou tudo isto e, embora eu não notasse muito a diferença, ele ía envelhecendo. isso trouxe-me também algumas vantagens, claro! por exemplo, aprendi a cortar fatias de pão e de queijo da ilha para lhe dar ao lanche, aprendi o que é o Atarax, Xanax, Renitec, etc..., aprendi proporções (por exemplo, um quarto ou metade de comprimido), aprendi a não me agoniar com escarros e fungadelas (que ele tanto fazia a partir de certa altura!), aprendi o que é uma algaliação, um clister, aprendi que dói ver sofrer porque se sofre mas que há momentos de felicidade até ao último suspiro... aprendi tudo isto cedo e bem!
acompanhei-o sempre, até a um fim que julgamos existir. dele guardo tudo isto, muito mais, o que acabei de escrever (e, portanto, este momento também)... e a música.
e, olhando agora para a janela que me deixa ver as mesmas muralhas, percebo que também com ele aprendi que quando se vai se fica e que quando se vai se leva. não se perde nada. o que acontece é que nos propomos ou nos sentimos obrigados a ver as coisas sob outros pontos de vista que não os que tínhamos até ao momento.
quando me queres beijar, beija
quando tropeçares num qualquer suspiro meu, descansa
quando olhares e não me vires, mantém o que sou em ti
quando duvidares dessa presença, recorda e sonha
quando quiseres sorrir-me, sorri
quando fores feliz, também comigo, fazes de mim tua mulher
quando me abraças, cresço
quando me beijas, quero-te mais
quando me chamas, vou
quando vens, estou
quando és tu, sou mais eu (e todos os lados que tenho)
quando? aqui e agora...
porque quando percebi o que pode ser amar, trouxe-te comigo e embalei-te no mar
terça-feira, outubro 31, 2006
o que são quimeras? que queremos nós de quimeras?
vejo-me de dentro, por debaixo dos tecidos, do sangue que corre e se espalha. a tonalidade é uma mistura de rosa, vermelho e ocre.
aqui, sinto-me protegida, em mim, comigo e, como tenho referido, mais com os outros.
o sinal do tempo é-me claro, do tempo que chove e que faz sol, do tempo de riqueza, do tempo de quimeras que procurei e por vezes soube alcançar.
sei o que cansa desejar a quimera. isso projecta-nos para fora de nós. tira-nos, por vezes, muito... se se deixar.
mas não a esqueço, à quimera. antes, vivo-a e torno-a real. é como se o tempo não passasse por mim, mas eu fosse capaz de passar por ele, ou melhor, como se fosse capaz de passar na vida com o tempo de braço dado. e, no limite, percebemos que somos capazes de viver o que é realmente intemporal. as coisas, os passos, as manhãs, as noites, os olhares são mais preciosos. o que é nosso é-nos mais precioso. passamos a valorizar o nosso, o que temos, o que construímos e fomos criando. e esse passo precisa de acontecer para que o futuro aconteça, para que não fujamos dele e voemos num novo e efémero foguetão que se aproxime por momentos.
o que se pode ter cá dentro é muito, muito mesmo. o que se pode ter fora de nós, também. perceber estas duas dimensões e dedicarmo-nos a qualquer uma delas é sempre um grande desafio.
mas somos mais e crescemos quando não esquecemos (mesmo que por medo e por momentos) nenhuma delas.
quinta-feira, outubro 26, 2006
hoje acordei e ri-me de mim. sorri, olhei o céu e senti-me feliz. pensei numa outra alma que me é gémea (na sua diferença e unicidade) e, novamente, sorri e senti-me feliz. voltei a olhar o céu e procurei o movimento das nuvens, para que isso me desse uma qualquer sensação mais concreta de real... e percebi que era. como se não bastasse, um pássaro voou mesmo na minha frente, provavelmente um daqueles que, por vezes, voam dentro de mim.
E, quando estas coisas acontecem e estamos disponíveis para elas, ousamos sonhar um pouco mais. sobre a vida, sobre os momentos que param porque os fazemos parar. assim, fiz o momento parar...
neste compasso de espera (que não é nada de espera... nem sei porque o chamam assim!) pintei um silêncio cheio, senti a subjectividade do tempo, beijei os lábios adormecidos da alma que me é profundamente de dentro e nórdica, e agradeci a paz quente e fervorosa que me habita.
E, quando estas coisas acontecem e estamos disponíveis para elas, ousamos sonhar um pouco mais. sobre a vida, sobre os momentos que param porque os fazemos parar. assim, fiz o momento parar...
neste compasso de espera (que não é nada de espera... nem sei porque o chamam assim!) pintei um silêncio cheio, senti a subjectividade do tempo, beijei os lábios adormecidos da alma que me é profundamente de dentro e nórdica, e agradeci a paz quente e fervorosa que me habita.
domingo, outubro 22, 2006
há um momento em que o mundo pára. é ao fim do dia, exactamente no momento entre o dia findar e a noite nascer. os pássaros param de voar por breves segundos, nós também.
os pássaros sabem, nós talvez. Mas, mesmo assim, quase sempre vivemos no devir. e eu pergunto-me, de que perfeição andamos à procura? Num mundo em que existimos sempre em relação... é realmente difícil ajustar os tempos. alguns parecem procurar algum fio condutor na norma, no esperado, no enquadramento social contemporâneo. depois há outros que reclamam não pertencer a esta categoria... embora talvez estejam é a procurá-la desenfreadamente. e há outros ainda que sorriem a essa norma, estão lá quando querem, saem dela momentaneamente porque percebem que ela não é o todo, apenas uma parte.
mas todos procuramos um lugar, gostando mais ou menos de estar onde estamos no momento. nem todos sabem qual é. uns ficam preocupados, outros não, embora ambos possam entristecer na sua condição. mas, e esta ansiedade no e do devir? esta ansiedade, que no fundo, só nasce, vive e morre dentro de nós, mas que tanto pode ser sinal de fraqueza como motor de mudança?
quinta-feira, outubro 19, 2006
quarta-feira, outubro 18, 2006
I. andamos às aranhas... ou como as aranhas. muitas pernas que, por vezes, se trocam e não sabem para onde ir. ou melhor, sabem, mas seguir um rumo implica todas quererem ir para o mesmo lado.
somos aranhas, os que pertencem orgulhosamente à "geração recibo verde". muitas coisas, muitas pernas, vários trabalhos, vários rumos. vantajosamente, podemo-nos também deleitar com a inexistência de horários fixos... embora isso implique suficiente organização interior para que não se tenha aquela sensação de andar a fazer tudo mas não ter tempo para si.
II. esta questão... o tempo para si, é cada vez mais pertinente na "geração recibo verde", geração de pessoas mais, de pessoas "independentes", de pessoas cuja organização interior é emergente e, portanto, lhes restaura o equilíbrio.
III. O que é, à partida, uma limitação, torna-se numa vantagem darnwiniana. quem sabe se, no futuro, todos queremos ser assim (pelo menos no que diz respeito à condição profissional) "independentes", sem que isso seja confundido com incapacidade de estar em relação.
IV. Em suma, viver essa condição económica e social durante algum período da vida pode colocar-nos o desafio do já referido (des)envolvimento, assim como a capacidade de gostarmos e cuidarmos de nós perante a inexistência de garantias.
somos aranhas, os que pertencem orgulhosamente à "geração recibo verde". muitas coisas, muitas pernas, vários trabalhos, vários rumos. vantajosamente, podemo-nos também deleitar com a inexistência de horários fixos... embora isso implique suficiente organização interior para que não se tenha aquela sensação de andar a fazer tudo mas não ter tempo para si.
II. esta questão... o tempo para si, é cada vez mais pertinente na "geração recibo verde", geração de pessoas mais, de pessoas "independentes", de pessoas cuja organização interior é emergente e, portanto, lhes restaura o equilíbrio.
III. O que é, à partida, uma limitação, torna-se numa vantagem darnwiniana. quem sabe se, no futuro, todos queremos ser assim (pelo menos no que diz respeito à condição profissional) "independentes", sem que isso seja confundido com incapacidade de estar em relação.
IV. Em suma, viver essa condição económica e social durante algum período da vida pode colocar-nos o desafio do já referido (des)envolvimento, assim como a capacidade de gostarmos e cuidarmos de nós perante a inexistência de garantias.
às vezes, só às vezes, nos apercebemos do rumo das coisas. ousamos lembrar o nosso caminho... aquele que achamos estar a seguir, mas que esquecemos ou nos protegemos de lembrar.
estar aqui, ser assim, seguir um caminho...
com ou sem a sequência esperada, com ou sem o pressuposto social.
espero de mim o melhor de mim... e esse melhor tem que ver, apenas em parte, com o que de mim esperam.
é bom ser-se assim. é difícil ser-se capaz de assim ser.
precisamos, para isso, estar estar atentos a todos os ritmos que não os que mais registamos na agenda...
estar aqui, ser assim, seguir um caminho...
com ou sem a sequência esperada, com ou sem o pressuposto social.
espero de mim o melhor de mim... e esse melhor tem que ver, apenas em parte, com o que de mim esperam.
é bom ser-se assim. é difícil ser-se capaz de assim ser.
precisamos, para isso, estar estar atentos a todos os ritmos que não os que mais registamos na agenda...
sábado, outubro 14, 2006
pensamos que partilhamos muito
pensamos que com isso nos tiram
pensamos que com isso deixamos que nos tirem
mas a partilha não é passar a ser-se menos
é dar de dentro de si, aos poucos ou muito depressa,
com a certeza que, com isso, seremos mais
alguns de nós sabem-no...
é impossível dar sem receber
o que acontece é que o outro pode não nos dar
o que queremos, da forma que queremos
o difícil é ser capaz de olhar para si
e perceber o que se exige do outro
o difícil é ser capaz de olhar para si
e perceber que se é tanto mais e melhor
quanto mais somos capazes de aceitar o outro
quanto mais somos capazes de fazer isso gostando de nós
no fundo, um movimento de experiência de mais do que uma liberdade
esse ajuste é o grande desafio
mas até isso é um desafio que já as crianças vivem...
... só que elas ainda fazem "birra"...
(um beijo a todos os que lerem estas palavras)
pensamos que com isso nos tiram
pensamos que com isso deixamos que nos tirem
mas a partilha não é passar a ser-se menos
é dar de dentro de si, aos poucos ou muito depressa,
com a certeza que, com isso, seremos mais
alguns de nós sabem-no...
é impossível dar sem receber
o que acontece é que o outro pode não nos dar
o que queremos, da forma que queremos
o difícil é ser capaz de olhar para si
e perceber o que se exige do outro
o difícil é ser capaz de olhar para si
e perceber que se é tanto mais e melhor
quanto mais somos capazes de aceitar o outro
quanto mais somos capazes de fazer isso gostando de nós
no fundo, um movimento de experiência de mais do que uma liberdade
esse ajuste é o grande desafio
mas até isso é um desafio que já as crianças vivem...
... só que elas ainda fazem "birra"...
(um beijo a todos os que lerem estas palavras)
quinta-feira, outubro 12, 2006
aqui estou
aqui sou
não, não é aqui... é aqui, em mim
gosto deste sol que ainda perdura
faz-me lembrar a permanência e resistência de certas coisas
faz-me lembrar de mim
onde estou
onde sou
gosto do início do vento frio
faz-me lembrar o inóspito, o rude e a tempestade
faz-me lembrar de mim
onde às vezes estou
onde às vezes sou
gosto dos seres que ousam inusitar, que ousam despropositar
faz-me lembrar o humano
faz-me lembrar quem sou, de que espécie sou
aqui sou
não, não é aqui... é aqui, em mim
gosto deste sol que ainda perdura
faz-me lembrar a permanência e resistência de certas coisas
faz-me lembrar de mim
onde estou
onde sou
gosto do início do vento frio
faz-me lembrar o inóspito, o rude e a tempestade
faz-me lembrar de mim
onde às vezes estou
onde às vezes sou
gosto dos seres que ousam inusitar, que ousam despropositar
faz-me lembrar o humano
faz-me lembrar quem sou, de que espécie sou
terça-feira, outubro 10, 2006
desenvolvimento
(des)
(envolvimento)
desenvolver é des-envolver...
é esse o desafio da mãe que precisa saber fazer crescer o seu filho: envolver e des-envolver num diálogo muitas vezes "apenas" rítmico e melódico, sem palavras
é na experiência das duas coisas que sabemos o que é a nossa liberdade e que crescemos
muitos de nós sorriem, cantam, andam, conversam, dançam, viajam, lêem, têm mãe e pai, irmãos, conhecem outras pessoas, passaram por muitas situações diferentes, escutam, olham, sentem, tocam, dão, recebem...
... mas parece que esquecemos aquela que foi talvez uma das nossas primeiras experiências, a que um dia nos permitiu fazer tudo o resto. esquecemos como se faz ou temos medo de fazer como sabemos que se faz.
ao longe, é de todas as coisas na embarcação a primeira que se vê
são firmes, mexem mas não mexem
tão sensíveis, porque expostos
tão fortes, porque juntam aos anos de espuma e salsugem, a matéria densa de que são feitos
sustentam, por vezes, aquela presença ostensiva e um sinal de pertença
todos olham. alguns têm vertigens. outros - poucos - agarram, cuidam, trepam-lhes
afinal, é dali que a vista alcança a maior beleza, é ali que os homens abrem os braços para infinitos e encontram novos mundos
... os mastros balouçam no navio que entra pelo marsão firmes, mexem mas não mexem
tão sensíveis, porque expostos
tão fortes, porque juntam aos anos de espuma e salsugem, a matéria densa de que são feitos
sexta-feira, outubro 06, 2006
quando olho à minha volta e não vejo ninguém percebo a imensidão das coisas. o mundo é maior, há mais espaço para preencher, os objectos e o mundo tem novas proporções. entre mim e esse mundo há uma distância considerável, assim vêem os meus olhos. essa distância é aquela distância ilusória que eu crio só porque - de repente - me assusta todo o espaço que posso ocupar! mas perante a situação, não senão que aproveitar... ou, pelo menos refrear o medo!
num primeiro momento ainda não sabemos bem que espaço ocupar com quê. é que às vezes, o que é dos outros e o que é nosso não se sabe distiguir com clareza. da mesma forma, pode-se fazer a asneira (errata: aprendizagem) de começar a preencher os cantos da casa com o que nos deram ou com o que já vimos outros fazer. afinal, andamos todos com medo dos outros, mas o medo que temos é de nós mesmos. temos medo de colocar partes nossas nesse espaço, nessa casa, e poder olhá-las de vários lados. temos medo de nos dedicarmos a olhar para nós, com olhos de ver, nus. temos medo da intimidade que somos. temos medo de não gostar e, às vezes, no limite, até suportamos mais facilmente que sejam outros a não gostar de nós.
esse medo é legítimo nas pessoas, contudo... e falarei sobre isso.
num primeiro momento ainda não sabemos bem que espaço ocupar com quê. é que às vezes, o que é dos outros e o que é nosso não se sabe distiguir com clareza. da mesma forma, pode-se fazer a asneira (errata: aprendizagem) de começar a preencher os cantos da casa com o que nos deram ou com o que já vimos outros fazer. afinal, andamos todos com medo dos outros, mas o medo que temos é de nós mesmos. temos medo de colocar partes nossas nesse espaço, nessa casa, e poder olhá-las de vários lados. temos medo de nos dedicarmos a olhar para nós, com olhos de ver, nus. temos medo da intimidade que somos. temos medo de não gostar e, às vezes, no limite, até suportamos mais facilmente que sejam outros a não gostar de nós.
esse medo é legítimo nas pessoas, contudo... e falarei sobre isso.
passam dias sem nome, sem rótulo... atribulados e em paz.
num espaço que é decididamente meu, trago-te também um pouco para aqui. não te preocupes... tem calma. não te tiro nada, não me tiras nada. o lugar dos ladrões de alma, esse decidi deixar de o ter há algum tempo. também tenho medo, contudo... também me assusto e nem sempre o sei dizer. assusto-me pelo risco, mesmo sabendo que é nele que sempre vivi. mas, o pensamento nem sempre ocupa em mim o maior lugar e na volta das emoções sorrio e deixo-me sorrir. sei que sou eu, sou muito eu nesse sorriso... sabendo que o tinha deixado suspenso há já algum tempo, por mais estranho que isso me possa parecer agora. sei também que ocupas lugar neste movimento trazendo o sorriso de dentro de mim.
no excesso de pensamento acontece o mesmo que a um soldado que se enche apenas pela voz do capitão: na paz não sabe senão ocupar o tempo com lembranças de guerra, as quais lhe dão uma garantia ilusória de controlo.
não quero perder o meu lado guerreiro, ele custou-me anos a crescer e a ser adulto. mas também não quero ser só assim... isso tolda-me a vida, afasta-me de mim, impede-me de ser e de crescer.
quem sabe se no turbilhão destes lados de paradoxo, as duas coisas se unem e, feitas as contas, tratam-se de uma mesma coisa.
num espaço que é decididamente meu, trago-te também um pouco para aqui. não te preocupes... tem calma. não te tiro nada, não me tiras nada. o lugar dos ladrões de alma, esse decidi deixar de o ter há algum tempo. também tenho medo, contudo... também me assusto e nem sempre o sei dizer. assusto-me pelo risco, mesmo sabendo que é nele que sempre vivi. mas, o pensamento nem sempre ocupa em mim o maior lugar e na volta das emoções sorrio e deixo-me sorrir. sei que sou eu, sou muito eu nesse sorriso... sabendo que o tinha deixado suspenso há já algum tempo, por mais estranho que isso me possa parecer agora. sei também que ocupas lugar neste movimento trazendo o sorriso de dentro de mim.
no excesso de pensamento acontece o mesmo que a um soldado que se enche apenas pela voz do capitão: na paz não sabe senão ocupar o tempo com lembranças de guerra, as quais lhe dão uma garantia ilusória de controlo.
não quero perder o meu lado guerreiro, ele custou-me anos a crescer e a ser adulto. mas também não quero ser só assim... isso tolda-me a vida, afasta-me de mim, impede-me de ser e de crescer.
quem sabe se no turbilhão destes lados de paradoxo, as duas coisas se unem e, feitas as contas, tratam-se de uma mesma coisa.
segunda-feira, setembro 25, 2006
partilha
a paz existe. traz-nos para a alma um estado de abraço com o mundo. essa paz é sobretudo equilíbrio, não paragem. sinto-me em constante contacto com o mundo, percebo mesmo que cada vez sou mais assim. trago comigo, em mim, as mais belas coisas da vida... estou feliz por fazê-lo, por dar e receber, por partilhar. estou também muito comigo, intensamente comigo. por isso, estou também mais para o mundo. e esse mundo que eu pensava ser tão grande é, afinal, o que cabe no meu pensamento, na minha imaginação em metamorfose.
depois da guerra... olho-me, lanço um sorriso no olhar e agradeço à vida.
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