czarina

terça-feira, dezembro 25, 2007

à parte

O mundo arrasta-nos sem querermos
Tolda-nos a visão, desorienta-nos
Deixamos que pouco reste para o essencial
Têm sido muitas as vezes em que me sinto levada por esta corrente
Aliás, apercebo-me como nunca da facilidade com que isso me pode acontecer

Corrente de egoísmo e impaciência (já tenho trazido estes temas ultimamente)
Luto contra ela
Tenho lutado, em silêncio
Muitas vezes caio de joelhos
Às vezes é mais forte que eu
E como tenho pouca tolerância a mim mesma
É mais difícil

Nessa leva, ausento-me da paz
Perco-me dela
E deixo-me levar,
Numa luta infértil
E fútil

Esgoto princípios, equilíbrios, esgoto-me
Deixo de me avistar como sou e quero ser

Tenho em mim a ideia do meu caminho
Não o pré-definido, isso seria castrante
Mas sei como me imagino
À parte de tudo o que me possa acontecer,
Sei como me quero sentir…
… em paz
E sei também que isso
Parte e partirá sempre de ser capaz de não me questionar
De me aceitar
De fruir, de viver e conviver
De saber e confiar que a beleza e a harmonia
Estão mais próximas do que pensamos
Mas que, para isso,
É preciso estender-lhes o braço

jordi savall conducting monteverdi * l'orfeu

segunda-feira, dezembro 24, 2007

segunda-feira, dezembro 10, 2007

gatuns

Gatos, gatuns
Aqui dormindo ao meu lado
Embrulhados

De vez em quando
Tiques estremunhados

Como se uma última gota
De cansaço fosse libertada
Da azáfama pegada

Que é um Domingo
Bom, longo e lento

quarta-feira, dezembro 05, 2007

quem vai e vem e quem fica

Os dias passam, as pessoas passam,
Vêm, ficam, vão, numa encruzilhada de sentires, pensares, agires
Passam e trazem-se no momento, a cada momento, ora jorro de vivências, ora vivências trazidas embutidas numa prateleira deixada com pó.
É uma dança. Uma dança de entrega, às vezes apenas parada pelo toque e pelo abraço. Outras vezes trazida contida em olhos que fogem.
Sugam, dão, escondem-se, mostram-se ao infinito.
Cresço – muito – num exercício constante de encontro comigo própria e com o mundo, que me faz querer ser, em cada um desses dias que passam, mais humana. Cresce também, em mim, o respeito pelas pessoas e, sobretudo, pelas coisas que são capazes de fazer mesmo que lhes resistam...

... e enquanto esse tempo vai passando, cada vez dou mais valor à vida, a tudo o que tenho e a quem tenho comigo no coração.