czarina

sábado, julho 19, 2008

eu paro, pára tudo também. amélia tem o poder dos deuses na terra



[irresistivelmente, do blog do darkgene]

domingo, julho 13, 2008

assim de repente e - à parte o pleonasmo - na sequência do anterior

na louca efemeridade do real e, simultaneamente, imaginário, surgem palavras em chorrilhos. todas inválidas, todas desmedidamente inválidas que batem forte contra as paredes do crânio, muitas resistentes à queda, afiguram-se de novo, tranformadas pela queda que lhes deu ainda mais força. O cansaço desmedido do ecoar e do bater, tolda os pensamentos. Chamando-lhes palavras, não o são na realidade, talvez na fantasia. É um fechar sobre is próprio no extremo oposto do desejo de ligação ao lado de fora.
O ver do lado de fora desse crânio é a experiência climax do bem estar, da serenidade. O ver sábio da sensação encontrada de reciprocidade, com a medida exacta de doce que lhe adoça e sal que lhe salga.
à semelhança do melhor, mais prolongado e expandido dos orgasmos de amor, é como se fosse o momento em que, aqui e agora, tudo é fusão do mais íntimo, na unidade plena de ser quem somos.

parábola

Comecei a ler um livro oferecido pela Bárbara. "O Coleccionador de Sons". Li a primeira página e, a meio da segunda, parei... pensei - na sequência de ter lido uma passagem que agora não me lembro qual, mas importa o que disse... - se ficava ali, se iria escrever. Pensei no fumo, no meu livro de escrita, levantei-me... não para ir directa ao livro, mas directa ao frigorífico. Quando lá cheguei apercebi-me que, no caminho, em jeito de ápice, tinha lambido os dedos. Lembrei-me depois que é um hábito desde pequena. Quando sinto os dedos secos (frequentemente, assim como molhados) passo os dedos pela língua (que se põe bem fora da boca). Sei que é um hábito meu desde há muito mas continuando a ser quase inconsciente não sei se já foi visto por alguém.
Decididamente, o único sítio público em que acho que me viram a fazê-lo foi no supermercado, mas aí é diferente. Por mais que tente, entre a azáfama de ter que ser rápida porque há mais pessoas na fila e o querer mesmo ir embora, não domino a técnica do abrir os sacos sem a ajuda de um bocadinho de saliva!
Mas, dizia eu, fui em direcção ao frigorífico e tirei de lá a caixa de "depois das oito" que trouxe, de volta à sala, para a mesinha. Pousei a caixa e, parecendo ter já os passos todos ensaiados, fui buscar o livrinho da escrita. Não estava no sítio do costume, estava em cima da cómoda do quarto, ao lado do "para ti" da Carolina. Voltei para a sala. Pelo caminho senti-o no cheiro e no respirar.
Sentei-me de novo no sofá e escrevi isto com a caneta do Euro e da conversão de escudos em euros (velha, não?).
[...]
Entretanto, fechei o caderno e lá longe vi o pensamento do hoje estás cansada e podes descansar, dormir, pensamento que, na sua efemeridade, se suavizou.
Abri o livro novamente. Li nele o que de primeiro leio num livro quando o conheço pela primeira vez: a parte de fora e a parte de dentro da capa. De todas as palavras ficou a palavra (que tive entretanto de confirmar) parábola.
Isso impeliu-me a regressar aqui para acrescentar mais este bocadinho.
Agora vou deitar-me no sofá, possivelmente dormir... aquele pensamento já passou a sensação.
[excerto de o caderno da casa do arco, MARuska]

segunda-feira, julho 07, 2008

enfim

se dou uma opinião, é certeza absoluta
se insisto que é apenas opinião, niguém se insurge
e (de)corre o tempo com o palpite dado e mãos lavadas
sem discussão, sem partilha, sem sincronias evidentes

não sei de pedagogia mais que todos com quem passo o dia
não sou eu a perita, assim não quero ser
porque não somos mutuamente exlusivos, seus ordinários

aí, nesse espaço em que cumprimos missão,
todos estamos a cumpri-la, ou não?

prof é de profissional
não será de mecância, nem de inglês, nem de o raio-que-o-parta

estamos todos para o mesmo, mais lentos ou mais rápidos
mais ou menos toldados pela visão legislativa
mais ou menos inspirados

e chega ao fim, de conteúdo estamos isentos
reunimos por papéis que não se fazem cumprir, que não são utilizados
que mais não são que sabonetes

aprendo com isto - sobre mim - todos os dias
imagino muitas vezes, como seria se estivesse nisto há vinte anos
e sonho com o ser capaz disso
orgulhar-me-ia se o pudesse fazer

... enfim