czarina

sexta-feira, abril 27, 2007

bilingue

M1: HAVERÁ ESPAÇO NO MUNDO PARA QUEM TENDE A NÃO PROCURAR NELE O SEU ESPAÇO??? E TEIMA, ANTES, A LEVÁ-LO ÀS COSTAS???
é, às vezes, farto-me de ser assim. é que, às tantas, o mundo que eu quero tem espaço para mim, eu é que não acredito... mas, também acho que preciso de ajuda para conseguir acreditar... embora o esforço maior tenha que ser o meu, eu sei.

ah? mas tu não percebes que há coisas que pesam toneladas??? é, pá, mesmo que sejas grande, não tens que pôr a mão em tudo. ah?
até porque já percebeste, e até já te disseram, que não tens que ser tu a fazer tudo, por tudo.


mesmo que tenhas braços bons para apanhar figos, também há morangos que crescem no chão... e isso até dá menos trabalho!!!
pronto, isso nunca serás capaz de fazer. ir pelo caminho mais fácil... sempre escolheste os mais difíceis e sempre te afastaste e cansaste dos mais fáceis.


e, assim, até deixas figos para outros que os queiram, pelo menos, tentar apanhar! ou tu não deixas que os outros tentem, sequer, esticar o braço e apanhar???
tens medo que olhem para ti como se tivesses menos mérito ou como se valesses menos??? precisas de estar semrpe a provar seja o que for?

e se não os quiserem, mesmo assim, tens que os apanhar todos??? das duas uma, ou os deixas apodrecer ou empanturras o pessoal.
consequência possível de seres como és: não deixas que ninguém cresça porque fazes tudo pelos outros ou então quem sabe crescer por si, cansa-se. pensa: um dia quererás ser mãe... que tipo de mãe queres ser?

M2: descansa, porra! e já pensaste que os podes vender e ganhar alguma coisa com isso?
e até montar uma sociedade?

Tem calma, não te censures tanto. o que tens, o que está à tua volta em nada te diz que terás esse triste fim! que drama!!! pergunta-te a ti mesma: há alguma coisa no mundo em que vives que te diga que será assim? chiça, às vezes é insuportável viver contigo mesma só por achares todas essas coisas... por mais nada, m.!

não és só tu que tens os braços compridos...
não penses que és a única que questiona se haverá espaço para si no mundo. aliás, há até quem tenha braços para te abraçar!

ainda mais, se são os frutos que mais trabalho dão a apanhar, também são os que mais caros são vendidos.
crescer e aprender com o que fazemos é difícil, mas é o melhor que podes ter na vida. sempre soubeste isso e sempre viveste a acreditar nisso. desse crescimento, sempre acreditaste que surgirão os melhores frutos, os mais raros. e sabes também que a vida, esse mundo, te tem reservado do melhor que nela existe.

olha lá as possibilidades... no mundo!
mesmo quando teimas em te questionar existencialmente de alto a baixo - coisa que, aliás, nem sempre é má de todo - não te esqueças de saber olhar para o que tens, para o que dentro e fora de ti tens de melhor, para quem está e quer estar contigo, para o aqui e agora. deixa-te de lamúrias! porque teimas em olhar para ti sempre da mesma forma??? mas és algum buraco negro que insiste em acreditar que não pode existir neste mundo? mas, afinal, quem é que é fechado às possibilidades? é o mundo, ou é tu?


quinta-feira, abril 26, 2007

olha lá

M1: HAVERÁ ESPAÇO NO MUNDO PARA QUEM TENDE A NÃO PROCURAR NELE O SEU ESPAÇO??? E TEIMA, ANTES, A LEVÁ-LO ÀS COSTAS??? ah? mas tu não percebes que há coisas que pesam toneladas??? é, pá, mesmo que sejas grande, não tens que pôr a mão em tudo. ah? mesmo que tenhas braços bons para apanhar figos, também há morangos que crescem no chão... e isso até dá menos trabalho!!! e, assim, até deixas figos para outros que os queiram, pelo menos, tentar apanhar! ou tu não deixas que os outros tentem, sequer, esticar o braço e apanhar??? e se não os quiserem, mesmo assim, tens que os apanhar todos??? das duas uma, ou os deixas apodrecer ou empanturras o pessoal.
M2: descansa, porra! e já pensaste que os podes vender e ganhar alguma coisa com isso? e até montar uma sociedade? não és só tu que tens os braços compridos... ainda mais, se são os frutos que mais trabalho dão a apanhar, também são os que mais caros são vendidos. olha lá as possibilidades... no mundo!

quarta-feira, abril 18, 2007

d.

andavas de saia de fazenda traçada e meias até aos joelhos. livros quase sempre na mão e debaixo do braço. fazias apontamentos de apontamentos de apontamentos, cada vez mais sintetizados, para facilitar o estudo, dizias... pacificadora, sempre. conciliadora. indecisa entre compactuar com os mais atinados da fila da frente ou com os que se atrasavam e chegavam a tresandar a fritos do café.
há rumos que nos são facilitados, mais dirigidos. outros há que precisam que sejamos nós a definir tudo ou quase tudo.

d, que rumo queres?
procuro olhar-te e dou comigo a procurar o que não é ténue em ti. sei que tens ai dentro do mais forte que há, mas não sei bem o que é. conheço-te e não te conheço, acho. e isso que tão grande aí está, porque não sai?

quero que tenhas tempo para passear comigo na areia, quero também ter tempo para passear contigo.
quero um sorriso teu!
quero que esqueças e que lembres, o que há para esquecer e lembrar!
quero sentir-te viva!

domingo, abril 08, 2007

europe, the final countdown live 1986

mike oldfield, to france

gentil

o silêncio da noite, a música de sempre
cai-me o cansaço aguçado pela ginja
todos ou quase todos dormem

uma luz de páscoa cobre a muralha
mais uma vez, o aroma do ar
e este conforto

a felicidade de poder estar com os de sempre
os que grande ou pequena me fizeram

e que, alegremente, me confirmam que deles
continuo a ser feita, por mais distante que esteja

hoje houve mais um encontro de família...
grande e cada vez maior

quem longe está, como é o meu caso,
apercebe-se das mudanças,
sobretudo as da idade

o meu tio está velho
está doente, assim parece

um homem rijo
que cresceu sozinho
que sempre nos contou as suas histórias
de vidas mal dormidas, mulheres e 1920s

inteligente,
sempre foi capaz de rir de si próprio
até das suas grandes desgraças

quase sempre
com defesas muito aguçadas

nunca culpou, sempre desculpou
excepto o próprio pai,
o aires,
que diz - sentido - o ter abandonado ainda em pequeno
e depois, ao longo da vida

aparentemente,
também nunca se culpou
nunca achou que tinha de ser desculpar,
excepto, em casos raros, perante as mulheres

homem de águas bem separadas
de um lado as mulheres
do outro os homens
coisas certas para as mulheres
outras tantas para os homens

em relação a mim,
sintonizámo-nos quase sempre apenas nos momentos da despedida
aí ele deixava-me (e deixa ainda hoje) um conselho

um conselho para uma rapariga
que, na hora da despedida, dificilmente o poderia contestar
isto porque ele sabia que provavelmente eu o contestaria sempre,
ou repeliria os seus comentários por me sentir injustiçada com eles
provavelmente, ele sentia-se também injustiçado com isso

os seus comentários foram sempre secos
e mostravam-me - assim parecia - um ponto de vista inalterável
sempre que eu tinha uma brecha, ripostava
ele dizia: sim, filha, mas olha que não é assim...
e "eu já cá ando há muito tempo"

por outro lado, era eu quem mais alimentava
aquela sua vontade de falar, de contar...
as mesmas histórias, vezes e vezes seguidas
as mesmas sequências de frases
as mesmas entoações

e, depois de uma jantarada, ficava a ouvi-lo
muitas vezes, com o meu irmão.
normalmente, ele esgotava-se a falar e ficava feliz
por lhe ser dedicado tanto espaço e tempo dos mais novos
garantidamente, no dia seguinte, dizia-me que
tinha dormido muito bem

sempre o fiz com alegria, espontaneamente,
sentindo também que recebia ouro, e muito!, por aqueles momentos

nos restantes temas
aí é que era mais complicado...

sobretudo pela preocupação dele
em dar-me os seus conselhos

esses, eu poucas vezes soube acolher
e acho que, algumas vezes, poderia ter aproveitado bem melhor


gentil,
(o seu nome)

tão intensamente velho e triste
te encontrei hoje!

sábado, abril 07, 2007

há gatos feios e maus
mas lindos e bons

terça-feira, abril 03, 2007

regras e princípios

Se há regras e há princípios
facilmente entramos na burocracia
coisa de que não gostamos

Se há regras mas não há princípios
nasce a mão de obra
irracional

Se não há regras mas há princípios
precisamos de utilizar a nossa
capacidade de interpretação

E, se não há regras nem princípios
achamos que entramos nos caos da anarquia...
ou será medo da possibilidade de criar
o que ainda não o foi?

segunda-feira, abril 02, 2007

so pro



sopro de vida que enche a alma, invade suavemente e dá luz ao espaço. janela que é ampla, cortinas que estão à parte. aos poucos, saboreia-se calmamente esse sopro, pára-se, vai-se enchendo o olhar de mar e do horizonte ao longe... ainda que no "conforto" do lado de dentro da construção.

domingo, abril 01, 2007

am ar/or

apaziguar
a paz num lugar
a par e par
os braços no ar
esperar o luar
e ficar, e ficar
há reflexo no mar
a voz a gritar
a tentar tirar
a dar e levar

a tentar repor
gritar sem pudor
reflexo sem dor
um ficar sem cor
que quis supor

não ser feliz
mas fiz, mas fiz
???

que fiz, que fiz
???

knock out

feliz, feliz