
Quando páro para pensar e penso nestas coisas do ser humano, vejo este movimento como se me dedicasse à essência da vida. Surpreende-me desde cedo o desdobramento de vozes, de olhares, de actos, de pessoas, a partir de uma mesma coisa, de uma mesma essência.
Gosto particularmente de me debruçar sobre a relação entre esta coisa una e a sua multiplicidade. Pego na diversidade, como se na ponta de um novelo, vou andando e chego à outra ponta. Essa outra é a mesma diversidade transformada em algo uno, comum, que a liga, que nos liga. Gosto da diversidade, porque gosto de a ver no meu dia-a-dia, gosto de ver coisas diferentes. Acho-a fascinante e ao mesmo tempo misteriosa. Vejo-a como algo de belo e que ao mesmo tempo me ofusca. Vejo-a como algo que traz em si, escondido, algo precioso.
Não me lembro das roupas que as pessoas usam, se têm óculos ou não, sou péssima a memorizar e recordar nomes. Invento nomes.
Lembro as pessoas pelas nuances de essência que vi na sua alma e através da diversidade.
Perco-me nas horas de conversa e de silêncio porque me encontro e me transformo. Me ligo. E é como se deixasse para trás o manto da forma pré-definida das coisas e partisse para um re-encontro com as coisas, com as pessoas, comigo.
Ligar. Entrega. Identidade. São as minhas três palavras para falar do que é para mim crescer e transformar-se.
A marca que me deixam na pele é intensa, de extremos, de dor, de solidão, de medo, de alegria, de espanto, de lágrimas e sorrisos. Ferro em brasa, puro e bruto.
Sou tudo o que sou quando me dispo para ser marcada assim, com ferro em brasa perfumado de essência.
Sinto-me privilegiada, grande e imensamente feliz.
Para ser ainda mais feliz, a única coisa a fazer é testemunhá-lo e partilhar.

