czarina

terça-feira, outubro 31, 2006

o que são quimeras? que queremos nós de quimeras?
vejo-me de dentro, por debaixo dos tecidos, do sangue que corre e se espalha. a tonalidade é uma mistura de rosa, vermelho e ocre.
aqui, sinto-me protegida, em mim, comigo e, como tenho referido, mais com os outros.
o sinal do tempo é-me claro, do tempo que chove e que faz sol, do tempo de riqueza, do tempo de quimeras que procurei e por vezes soube alcançar.
sei o que cansa desejar a quimera. isso projecta-nos para fora de nós. tira-nos, por vezes, muito... se se deixar.
mas não a esqueço, à quimera. antes, vivo-a e torno-a real. é como se o tempo não passasse por mim, mas eu fosse capaz de passar por ele, ou melhor, como se fosse capaz de passar na vida com o tempo de braço dado. e, no limite, percebemos que somos capazes de viver o que é realmente intemporal. as coisas, os passos, as manhãs, as noites, os olhares são mais preciosos. o que é nosso é-nos mais precioso. passamos a valorizar o nosso, o que temos, o que construímos e fomos criando. e esse passo precisa de acontecer para que o futuro aconteça, para que não fujamos dele e voemos num novo e efémero foguetão que se aproxime por momentos.
o que se pode ter cá dentro é muito, muito mesmo. o que se pode ter fora de nós, também. perceber estas duas dimensões e dedicarmo-nos a qualquer uma delas é sempre um grande desafio.
mas somos mais e crescemos quando não esquecemos (mesmo que por medo e por momentos) nenhuma delas.

6 comentários:

dawn2dusk disse...

"sei o que cansa desejar a quimera. isso projecta-nos para fora de nós. tira-nos, por vezes, muito... se se deixar."

Hoje também estou cansado, cansado dessas quimeras que espreitam à esquina e que voltam a fugir...
tenho medo de nunca mais as conseguir agarrar...

Anónimo disse...

de volta à terra e com a ajuda de um dicionário (http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx), responder-te-ia assim à primeira pergunta:
quimera: do Lat. chimaera < Gr. chímaira
s. f.,
monstro fabuloso com cabeça de leão, corpo de cabra e cauda de dragão (calculo que não te refiras a isto...); fantasia; utopia; ilusão; sonho; absurdo. (caso tenhas "agarrado" uma destas definições, aproveito e tento responder à segunda pergunta com uma outra: quereremos assim tanto de tão irreais verdades?).

Anónimo disse...

"o que se pode ter cá dentro é muito, muito mesmo. o que se pode ter fora de nós, também. perceber estas duas dimensões e dedicarmo-nos a qualquer uma delas é sempre um grande desafio."

não será a quimera que descreves construída pelo entendimento que fazes dessas duas dimensões a partir da real dimensão do teu Eu?
se assim for, será que a verdadeira quimera tem apenas uma única dimensão (a tua)?

"mas somos mais e crescemos quando não esquecemos (mesmo que por medo e por momentos) nenhuma delas."

se concordares comigo, é do teu Eu que não te esquecerás de lembrar para que não percas a quimera e para que continues a crescer...

Anónimo disse...

p.s.
levo-te um beijo no calor de um abraço, depois da frescura de um sorriso...

MRsK disse...

k,
és lindo no espelho que fazes de mim, e que me ofereces nesse abraço e nesse sorriso. olho para os passos até agora dados, ainda claramente marcados no chão, e agradeço-te por estares atento a essa integração do meu Eu de dentro e de fora, por me lembrares de não me esquecer de mim. mantenho a quimera e o desenvolvimento... e "gosto de quem" também o faz.

MRsK disse...

d2d,
elas estão dentro de ti...!