czarina

sexta-feira, outubro 06, 2006

passam dias sem nome, sem rótulo... atribulados e em paz.
num espaço que é decididamente meu, trago-te também um pouco para aqui. não te preocupes... tem calma. não te tiro nada, não me tiras nada. o lugar dos ladrões de alma, esse decidi deixar de o ter há algum tempo. também tenho medo, contudo... também me assusto e nem sempre o sei dizer. assusto-me pelo risco, mesmo sabendo que é nele que sempre vivi. mas, o pensamento nem sempre ocupa em mim o maior lugar e na volta das emoções sorrio e deixo-me sorrir. sei que sou eu, sou muito eu nesse sorriso... sabendo que o tinha deixado suspenso há já algum tempo, por mais estranho que isso me possa parecer agora. sei também que ocupas lugar neste movimento trazendo o sorriso de dentro de mim.
no excesso de pensamento acontece o mesmo que a um soldado que se enche apenas pela voz do capitão: na paz não sabe senão ocupar o tempo com lembranças de guerra, as quais lhe dão uma garantia ilusória de controlo.
não quero perder o meu lado guerreiro, ele custou-me anos a crescer e a ser adulto. mas também não quero ser só assim... isso tolda-me a vida, afasta-me de mim, impede-me de ser e de crescer.
quem sabe se no turbilhão destes lados de paradoxo, as duas coisas se unem e, feitas as contas, tratam-se de uma mesma coisa.

3 comentários:

João disse...

é talvez na paz que o guerreiro pior sabe viver, é talvez com os atribulados dias de paz que o guerreiro mais se assusta. a guerra está-lhe no sangue, a paz, às vezes, pode deixá-lo desarmado.

MRsK disse...

sim, a paz é muito mais assustadora... os tempos testemunham-no. o espaço para ambas é um desafio aos homens. talvez seja por isso que às vezes se pode escrever Homem com maiuscula (ou Mulher!)

João disse...

talvez porque a guerra e a paz fizeram da Humanidade aquilo que ela hoje é...