O frio da noite leva-me algures, lugares imaginários e pensamentos que a linha do tempo que passa cá dentro vai trazendo.
No meio da confusão quente e familiar apela-me também este conforto.
Como se de uma pausa, como se de um parêntesis se tratasse.
O frio da noite, o quente cá dentro.
O primeiro lugar é esse mesmo, o tempo. Coisa apressada ou lenta, ora de dentro e controlada, ora de fora e manipuladora.
Onde estás tu?
Em ambos, o que muda é outro lugar, aquele onde te colocas e incluído no primeiro, no do tempo. O tempo humano parece ser, na realidade, a apropriação dele…
Se, por um lado, reclamamos da “sua” pressa, se calhar fugimos quando se trata da "sua" efectiva apropriação. E penso, apropriação não é ganhar nem perder tempo tomando as decisões necessárias a um alinhamento com os astros que ditam qualquer época.
O que poderia ser, então?
Apropriação… estado intenso de alegria, resultante da confirmação de pertencermos a um algo que nos preenche. Para acontecer, exige quase sempre o pré-requisito de sentirmos que esse mesmo estado é recíproco. Claro que as lentes com que olhamos para estes dois movimentos podem não estar bem focadas uma em relação à outra, ou seja, uma pode estar muito graduada e outra pode nem uma dioptria ter…!
... E é aqui, no lar inicial, que tudo começa...

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