czarina

terça-feira, julho 10, 2007

explicação dos pássaros

sob o azul do céu e entre o branco das paredes, oiço a explicação dos pássaros.
engano-me ao pensar que somos nós que os explicamos, tal como pensei muitas vezes a propósito do livro.
enganei-me muito tempo.
não que estivesse errada, do simples errar redondo, mas porque me ofusquei com o que me movia o agir. movia-me o agir esse meio explicar. movia-me o agir esse meio pensar que só metade das coisas é que explicam. movia-me o agir que só metade das coisas fazem acontecer e que a outra metade existe para ali estar, parada, à espera, a querer, inabitada, como se de alma lhe restasse pouco.
não é o homem que, exageradamente, explica.
por vezes, sinto-me no meio que caminha entre os dois meios.
outras, sinto-me nesse meio mas sobre os outros dois, o que me permite vê-los a ambos. é aí que me sinto mais e gosto de aí estar.
embrulhada em artigos sobre inteligência emocional, procuro encontrar uma definição do que ela é, partindo daí para conseguir justificar porque é que a devemos alimentar e porque é que algumas pessoas em particular - por exemplo, líderes - deverão beneficiar do seu desenvolvimento, tal como deverão beneficiar de férias ou de bons ordenados.
o meu ponto de partida é, então, "a inteligência emocional constitui-se como um conjunto de capacidades, competências e habilidades que influenciam a capacidade de uma pessoa ter sucesso perante as exigências e pressões do ambiente que a rodeia "(Bachrach 2004).
se assim é, importa perceber como é a pessoa emocionalmente inteligente, de modo a que possamos distinguir e destacar a inteligência emocional como um factor-chave para o desenvolvimento da humanidade, em detrimento de outros factores, tais como, por exemplo, a sorte, o capital relacional, ou outros factores externos, tais como os pássaros.
neste momento, parei novamente para me debruçar sobre a explicação dos pássaros e para este meio dos meios. o meu património de experiência dir-me-ia que aqui teria que parar porque estaria (novamente) a entrar em desequilibrio. e, mais uma vez, a esquecer o que os pássaros podem explicar aos homens . mas acho que encontrei a solução. voltando à inteligência emocional (em concreto)
então, continuando, do ponto de vista dos processos psíquicos ser emocionalmente inteligente implica então, nada mais nada menos que a capacidade de estar em contacto, compreender e gerir as emoções, suas e dos outros, utilizando essa capacidade para guiar o seu pensamento e acções ao longo do tempo (Bachrach, 2004; Goleman, 1998; Salovey & Mayer, 1990).
acredito neste desafio na vida e no dia-a-dia em geral. não é um exercício de desgaste, de racionalização. é antes um estado, um estado de ser, que precisamos saber fazer crescer e que nos trará essa capacidade de forma natural e espontânea.
pode parecer um desafio simples. cada um de nós entende de diferentes formas a sua relação com o mundo. é difícil desvincularmo-nos dela sob o precipício que pode ser acharmos que deixamos de ser quem somos. é difícil aceitar que muito pouco sabemos e que é isso que nos torna livres.
quem não tomar por difícil esses caminhos e concretizar isso na sua vida, aproxima-se do desafio.
olhei um pássaro e imaginei que o trouxe para dentro de mim, ficando feliz por continuar a vê-lo voar.

Sem comentários: