czarina

terça-feira, julho 17, 2007

espécie!

Ontem vi um documentário que me tocou especialmente. Às vezes há destas coisas na nossa programação nacional. Foi um documentário da rpt2.
Falava um psicólogo social, em plena Londres, sobre a evolução global de dois grandes grupos: adolescentes e mulheres. Na tela televisiva, três lugares de destaque: king’s cross, trafalgar square e o subway. O primeiro, palco da reflexão sobre o comportamento dos adolescentes. O segundo, ponte de reflexão entre o primeiro e o terceiro. O terceiro, dedicado à reflexão sobre as mulheres, sobre o seu futuro e, consequentemente, futuro da espécie.

O documentário estabeleceu relações causais, quanto a mim muito pertinentes, entre os comportamentos destes dois grupos e na sua consequência em termos de evolução da espécie.
Por um lado, assistimos à facilidade, cada vez mais assustadora, com que nos tornamos “macaquinhos de imitação” (esta expressão foi utilizada pelo documentador e, pelo que percebi, é já considerado um conceito técnico). E como sabemos, os adolescentes parecem ser o grupo que mais facilmente é estudado para se confirmarem estes comportamentos. No documentário, ficou muito claro que uma das metodologias de marketing mais utilizadas é ir a um bairro onde se pratique qualquer desporto jovem (por exemplo, skate) e ir perguntando aos miúdos “quem é o gajo mais cool daqui?”. A ideia é ir-se perguntando a vários até que haja um que diga “sou eu”. Aí, oferece-se o produto que se quer lançar (que pode ser um novo jogo para a playstation) e os resultados são: passadas duas semanas, quase todos os miúdos do bairro têm aquele jogo.
mas, há falta de alento nesta vida social cada vez mais baseada em “produtos” de marketing, ocorre ainda um outro fenómeno também referido: o efeito werther.
Aqui, o que acontece é que, na tentativa desesperada de preencher o vazio da existência e perante a sensação de (já) não se saber para quê e porquê se existe nem quais são os possíveis fios condutores, as pessoas procuram resgatar-se de um triste final e suicidam-se “em prol” dos motivos mais nobres que alguma vez se ouviram falar na história. Nos adolescentes efeito werther esses motivos estão relacionados, sobretudo, com amores e desamores. Conforta-me lembrar que a realidade aqui perto não se passa assim, mas fico atenta a esta dúvida: será que os grandes fios condutores da vida – os nossos valores – que tão fielmente nos acompanham em grandes histórias e estórias e que conhecemos como realidade ao longo dos tempos, estão em risco de serem zombies. Será que os estamos a colocar propositadamente num espaço dedicado à anti-matéria só para não termos que enfrentar o efémero e dizer-lhe que não? Ou será que nos basta o conforto do efémero que simplesmente vem quando brincamos (quando menos esperamos) e, sem perguntar, nos oferece algo sem termos que mexer grande palha?

E, depois, no limite mais cáustico, e em pleno subway, se olharmos as estatísticas e vermos que, actualmente, 6 em cada 30 mulheres não têm filhos… surge-me este dualismo

- os que ficam tendem para este vaivém wetheriano.

- a espécie humana vai cometendo suicídio colectivo (não atentando a liberdade individual) e isso é já visível.

Posto isto, duas ideias principais para mantermos um certo equilíbrio:

- fingir ser um bocadinho paranóide, do tipo, não esquecer que eles andam aí e nos podem atacar quando menos esperamos. aí, a parte mais difícil não é essa, mas sim, dizer não, sobretudo dado o facto de sermos apanhados desprevenidos! (lol comedido). não achar que a ideia de se tentar ser diferente e melhor é pura utopia ou que é apenas para os esquisitos.

- make love not war!

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