um amigo morreu
distante, mas longo no tempo
num tempo simples, que algures se cruzou
aquando da minha adolescência e da sua já tenra idade
muitos anos nos separavam
as conversas, próximas, curiosas
nesse tempo que se cruzou na vida de ambos
ele falava-me sobre astros, pólen e geleia real
sereno, sempre aparentemente sereno.
lembro-me também dos calendários grandes em que ele assinalava datas através de símbolos que criava. chegava a registar dias para telefonar a este ou aquele. tudo religiosamente assinalado.
foi muito rápida, a sua partida
diria, fulminante
não deu tempo para assinalar
quase nem deixou que lhe desejassem
boa viagem, alfredo

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