czarina

domingo, junho 24, 2007

a minha primeira experiência de mergulho


no início tudo pesa, tudo aperta.
o frio vai entrando devagarinho.

vamos, pela praia fora mar adentro.

rochas e escuro avistam-se.

deixamos de ter pé, mas facilmente flutuamos.

contagem descrescente. apenas 4 metros nos separam do chão de areia.

ainda à superfície, regulador na boca.

essse ar comprimido que me faz lembrar que estou a respirar e que isso é o mais importante.

depois de alguma ansiedade, estabilizo. respiro calmamente, novamente.

sinal de partida. tirar ar do colete.

....
...
..
.

chegamos ao fundo do mar.

na viagem até aqui vejo a linha da água, os raios de sol.
pairam partículas.
ambiente de luz. algo turvo. verde.

o controle dos movimentos é lento, a noção do próprio corpo é quase totalmente concentrada na respiração. aliás, não se ouve mais nada a não ser a respiração.

é difícil controlar a flutuabilidade.
no fundo, de joelhos, o peso das costas puxa-me.
dou cambalhotas.
é difícil virar-me para onde quero e a corrente tende a puxar-me de vez em quando.

mesmo assim, são a garrafa e os nove quilos que levo "a mais" que me permitem chegar ao fundo.

estamos agora a 4,5 metros.

fazemos alguns exercícios em grupo. um deles - tirar a máscara - é especialmente difícil.
de repente, ao tirá-la, a água fria chega-nos à cara, entra pelo nariz e isso faz com que a respiração seja muito mais difícil de controlar.
engasgo-me, páro de respirar, tenho a sensação que vou sufocar.
estou quase a desistir, empurro quem me agarra e quero subir. agarram-me. não vou poder subir. tenho que resolver isto aqui, penso.
tento respirar. engasgo-me.
acalmo.
volto a pôr a máscara.

o coração pula. devo ter gasto meia garrafa.
tenho medo. estou zonza.

seguimos para passear.
e aí, rochas bordeaux e vegetação.
cardumes que reflectem a luz.

8,5 metros.

espreitamos pelos buracos nas rochas e passeamos à sua volta.
parecem os jardins de versailles, autênticos labirintos

estrelas do mar grandes e brancas.

10 metros

seguimo-nos uns aos outros, em pares

flutuamos em todas as direcções, lentos

olho para cima, para baixo, para os lados e posso ir até cada um deles.

regressamos juntos à areia. agora mais próximos da praia.

vamos subir, 50 minutos depois.

cansados! exaustos!

ps: ainda não experimentei fazer xi-xi dentro do fato (talvez amanhã!)

4 comentários:

n disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
n disse...

bem... até a mim me ficou a faltar o ar, tal o realismo da tua descrição!
Que grande experiência!

João disse...

uma tubaroazinha a maruska :)
:*

MRsK disse...

mas consegui, n! :)

beijo molhado, k!