Lembro-me daquela noite de inverno ao ouvir novamente o Lullaby, The Cure.
Cracóvia. Um grupo de estudantes de vários países. Éramos uma família de estrangeiros, num país estrangeiro ao nosso encontro. Por isso nos unimos, muito, nesses dias.
Depois de uma véspera passada torcida num comboio soturno, do descanso merecido numa pousada de juventude, tínhamos passado o dia a conhecer castelos (naquela que é a cidade mais linda do mundo que já conheci).
Tínhamos também vindo de Oświęcim, mais conhecida por Auschwitz.
Estávamos na praça central, junto da igreja e do mercado. Um frio de rachar, sem roupas apropriadas. Menos dois graus… ainda quase nada, para quem estava habituado.
Jantámos num restaurante grego com cabaças-candeeiros penduradas. Tinhamos a barriga cheia e a noite convidava. Supostamente, segundo os nossos anfitriãos, aquela cidade tinha imensos pubs de jazz, daqueles ao estilo americano, em caves.
Fomos, então.
Bem. Tudo corria bem. Jazz e depois pista de dança com The Cure a encabeçar.
Enchemos o espaço e demos nas vistas.
Polacos, ao fundo do bar, tentavam meter-se com as raparigas. Os rapazes fizeram escudo cerrado para nos proteger.
Protegeram-nos. E, enquanto, isso, outra parte dos polacos roubaram-nos várias carteiras.
Na altura, apercebi-me do que tinha acontecido quando estava a tocar esta música...
Dia soturno...

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