czarina

sexta-feira, agosto 24, 2007

nação babel

Há um objecto quase invisível que o homem traz dentro de si, que impressionantemente o esconde de si próprio, que o esconde do mundo e dos outros. Usa-o a sós, junto, e talvez exaustivamente em muitos cenários. Porque sabe a açúcar, deixou que crescesse e alguns tiveram a aparente sorte de a ostentarem até em prol de uma nação. Usa-o porque se sente nú, vazio, invisível. Usa-o quando olha para os outros, se compara e receia.

Nação Babel, a máscara do egoísmo, esse objecto invisível, a uma escala social.
O poder, aquele e esse cuja existência se pauta pelos argumentos mais efémeros, devora a vida mais simples, bela, ingénua. Mais, devora também o devir da genuinidade.

Perante o risco, a máscara tapa a face.
Ironicamente, ela permite disfarçar a paranóia com cautela.

Perante o seguro e adquirido, ela esvai-se.
Aí, é-se o centro das atenções do mundo.

Mas pode-se estar cheio, pleno de vida, visível e, simultaneamente, ser-se para quem não se olha ou para quem se olha por trás dos ombros, estar-se na periferia e para lá do espaço que o mundo parece estar atento e comportar. Não sei qual o rumo, nem se o homem continuará a trazer consigo a máscara já pouco invisível. Mas por agora, muitos daqueles que a abandonaram ou que a recusam continuam a procurar lugar no espaço comum.

Quem de nós investe energia para não fazer da vida um subúrbio que o mapa esqueceu?

2 comentários:

João disse...

quem de nós é mais do que o nada sem o olhar do outro?

MRsK disse...

nem nós nem o outro. ambos sem máscara. *