czarina

sexta-feira, janeiro 02, 2009

à janela

a rapidez calma do carro traz-me a brisa da noite à face. estico-me para fora e trago o braço. venho no banco de trás e sou toda esse pedacinho de brisa que sinto. vêem-se as luzes ao fundo, amarelas, foscas das poças de água nos olhos trazidas pelo frio que os rasga.

O cabelo emaranha-se, vibrando para trás.

Os lábios esboçam um sorriso que se tornaria evidente para quem ficasse parado no passeio a observar. Lábios que contrastam com o tom pálido da pele.

Não tenho bolsos, não sinto, sequer o quente do corpo que ficou lá em baixo.

Toda eu sou o lado de fora da janela.

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