czarina

segunda-feira, março 19, 2007

pensar

Ouvi hoje as seguintes palavras: "pensar é uma arma de construção massiva".
Pois, como humanista que me considero, subscrevo estas palavras. Contudo, e porque tendo a fugir do linear (correndo o risco de o ser), parece-me também que precisamos de nos debruçar sobre o que é isto de pensar... É que o homem nasce deste novo acréscimo, ou seja, a sua capacidade de simbolizar, de atribuir significados. Mas, o uso dos simbolos, tais como as palavras, talvez possam servir tanto de arma de constução massiva, como de destruição massiva (ou, pelo menos, progressiva). É a capacidade de pensar que permite criar laços, comunicar, expandir, conhecer... mas se não formos capazes de, em primeiro lugar, pensarmos sobre nós a partir do que sentimos, perde-se o valor do pensamento. Aí, corre-se o risco de se ser muito bom a pensar sobre os outros, até a elaborar grandes teorias sobre paramécias, mas surdos e mudos de nós. No limite, o que é oportunidade de crescimento, é retraimento através da racionalização, como diriam os psicanalistas. Metáfora pouco à altura: é como ter um carro novo, mas que não se usa a não ser para dar umas voltas no bairro. Se queremos pensar o que sentimos. No caso do pensar, será medo?
E se o sentimento alimenta o pensar, mas nem sempre os dois andam de mãos dadas,
Que cousa morro quando sou? (Fernando Pessoa, O Livro do Desassossego)

3 comentários:

João disse...

não sei o que morre o bernardo soares... mas eu, quando assim morro, morro quem penso que era.

dawn2dusk disse...

É como "To be" só por si, será do verbo "ser" ou "estar"?
Eu acho que é do verbo "Pensar"

MRsK disse...

;)